Adiado julgamento de suspeito de burlar câmaras e instituições sociais

Carlos Quaresma terá recebido mais de seis mil euros de cada autarquia ou instituição lesada com a promessa de doações de equipamentos ortopédicos médicos e hospitalares

O arguido, Carlos Quaresma, que se fez passar por presidente da Fundação AGAPE, organização não-governamental da Suécia, país onde reside há vários anos, não compareceu hoje na primeira sessão do julgamento.

O arguido terá recebido indevidamente 265 mil euros para transportar material doado daquele país para Portugal, montante que corresponde à diferença entre os valores recebidos e os que foram realmente pagos pelas despesas, refere a acusação, deduzida em junho de 2017, a que a agência Lusa teve acesso.

O suspeito, acusado de 35 crimes de burla qualificada, terá recebido mais de seis mil euros de cada autarquia ou instituição lesada, lê-se no despacho de acusação.

O arguido, agora com 63 anos, “urdiu um plano para obter para si quantias monetárias provenientes de autarquias e instituições de solidariedade social, mediante contactos com a promessa de doações de equipamentos ortopédicos médicos e hospitalares provenientes da Fundação AGAPE”.

Para tal, entre meados de 2009 e até novembro de 2011, Carlos Quaresma, a residir há vários anos na Suécia, fez-se passar por presidente e voluntário da fundação, abriu uma conta bancária para aí receber quantias monetárias e entrou em contacto com pelo menos 18 municípios e 15 instituições de solidariedade social de vários pontos do país.

Após obter o seu interesse, informou-as de que para beneficiarem das doações teriam de transferir para a conta bancária 13 mil euros destinados a pagar despesas de transporte, licenças alfandegárias e outros custos.

A AGAPE, porém, apenas cobrava três mil euros por cada transporte e cerca de 1.300 euros por despesas de armazenamento.

Segundo a acusação, foram lesadas câmaras nos distritos de Aveiro (Oliveira de Azeméis), Beja (Ourique), Castelo Branco (Vila de Rei e Idanha-a-Nova), Coimbra (Cantanhede), Évora (Vila Viçosa), Faro (Vila Real de Santo António), Guarda (Pinhel e Aguiar da Beira), Lisboa (Lourinhã e Alenquer), Porto (Santo Tirso), Santarém (Ferreira do Zêzere e Mação), Setúbal (Setúbal, Almada e Sesimbra) e Viseu (São João da Pesqueira) e a Associação de Municípios da Ilha do Pico (Açores).

Na lista dos lesados, constam ainda instituições de solidariedade social dos distritos de Braga (Braga, Barcelos, Vila Verde e Vimioso), Bragança (Torre de Moncorvo), Coimbra (Soure), Porto (Vila do Conde, Maia e Vila Nova de Gaia), Santarém (Rio Maior, Alcanena e Entroncamento), Viana do Castelo (Viana do Castelo) e Setúbal (Barreiro).

O arguido, antigo futebolista e ex-candidato à presidência do Sport Lisboa e Benfica, aguarda julgamento com termo de identidade e residência.

Em 2013, o Ministério Público sueco arquivou um inquérito contra o cidadão por suspeitas do mesmo crime, relacionado com a atividade da Fundação AGAPE.

O despacho de arquivamento, a que a Lusa teve na altura acesso, ressalvava que o processo poderia ser reaberto se surgissem novos dados.

Luís Montenegro não vai fazer férias no verão para acompanhar a atividade do governo

Luís Montenegro mantém-se ao serviço e prescinde de férias este verão

Luís Montenegro decidiu não tirar férias durante o verão. De acordo com informação avançada pela agência Lusa, o primeiro-ministro vai permanecer em funções, assegurando a coordenação da atividade do Governo e mantendo igualmente a agenda enquanto presidente do PSD.

Entre os compromissos já confirmados estão a participação na Festa do Pontal, marcada para 14 de agosto, e na Universidade de Verão do PSD, que decorre entre 24 e 30 de agosto, em Castelo de Vide.

A opção surge depois das críticas da oposição pelas deslocações do chefe do Governo aos Estados Unidos para assistir a jogos da Seleção Nacional no Mundial de Futebol, numa altura em que Portugal se encontrava em situação de alerta devido ao calor e ao risco de incêndios.

Famalicão: Presidente da ANESPO considera que os decisores são fundamentais na afirmação das escolas profissionais

Na passada semana, no decurso das Jornadas Pedagógicas da Associação Nacional de Escolas Profissionais (ANESPO), Amadeu Dinis salientou que o Ensino Profissional está a ganhar uma nova centralidade no sistema educativo nacional. O famalicense que preside à ANESPO entende, por isso, que é fundamental que os decisores políticos continuem a assegurar a sustentabilidade financeira, organizacional e funcional das escolas profissionais face à importância e especificidade dos projetos educativos nos seus territórios, regiões e país.

As Jornadas Pedagógicas decorreram entre 9 e 10 de julho, na Escola de Turismo de São Pedro Sul, subordinadas ao tema “Ensino Profissional + Flexível + Inclusivo: com o CNQ e os CTE na bagagem”.

O também diretor da Escola Profissional CIOR considerou, ainda, que o encontro «foi um momento particularmente importante para refletirmos, em conjunto, sobre os desafios atuais e futuros e sobre as respostas que as escolas devem continuar a construir». Acrescentou que com esta iniciativa, «a ANESPO pretende promover um espaço de reflexão e partilha em torno da flexibilidade curricular, da inclusão e da valorização das competências. Estas são dimensões essenciais para preparar melhor os alunos, responder às necessidades dos territórios e reforçar o papel do Ensino Profissional no desenvolvimento do país»

Com 300 participantes, de mais 100 Escolas Profissionais de todo o país, as Jornadas Pedagógicas tiveram, segundo a associação, uma particular relevância num momento em que o Ensino Profissional em Portugal enfrenta novos desafios pedagógicos, organizacionais e tecnológicos. Durante os dois dias, coordenadores, docentes, especialistas e representantes institucionais ligados ao ensino e à formação profissional debateram estratégias para tornar as Escolas Profissionais mais flexíveis e inclusivas.

Está muito calor, proteja-se

Face à onda de calor, com temperaturas a chegar aos 40 graus, a Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda que se proteja e tome algumas precauções como beber pelo menos 1,5 litros de água, mesmo quando não tem sede; se possível permanecer em ambientes frescos e climatizados, em sombras, com circulação de ar, e manter janelas e estores fechados durante as horas de maior calor.

Também deve evitar a exposição direta ao sol e usar protetor solar superior a 30; utilizar roupas de cor clara, leves e largas, chapéu e óculos de sol; evitar atividades no exterior que exijam esforço físico; dar atenção especial a grupos mais vulneráveis ao calor, como crianças, idosos, doentes crónicos, grávidas; assegurar que as crianças bebam muita água; acompanhar pessoas que vivam isoladas; manter-se informado sobre a evolução das condições climatéricas.

Se apresentar sinais de alerta como suores intensos, febre, vómitos/náuseas, pulsação acelerada ou fraca deve contactar a SNS 24 através do número 808 24 24 24 ou o 112.

Taça da Liga terá novo modelo competitivo em 2027/2028

A terceira competição do futebol português voltará a mudar de formato na época 2027/2028. Ao contrário do que aconteceu na temporada passada, em que os seis primeiros classificados da I Liga defrontavam os dois primeiros classificados da II Liga, a prova passará a ser disputada num modelo de fase de liga, semelhante ao utilizado na Liga dos Campeões.

No novo formato, a competição vai contar com 26 equipas provenientes dos dois primeiros escalões do futebol português. Cada formação vai realizar dois jogos, um na condição de visitada e outro na de visitante. No final desta fase, as equipas apuradas disputam um play-off, do qual saem os clubes que garantem presença nos quartos de final, onde estão os emblemas participantes nas competições da UEFA.

Ultrapassada essa etapa, a prova regressa ao formato tradicional da Final Four, disputada no mês de janeiro, altura em que será conhecido o vencedor da Taça da Liga, muitas vezes apelidado de «campeão de inverno».

Ao todo, a Taça da Liga terá um máximo de 36 jogos.

Recorde-se que, na época 2026/27, o FC Famalicão defrontará o SC Braga nos quartos de final da competição.

Tiago Torres

Estado condenado a pagar indemnização a antigo Primeiro Ministro

O Estado português foi condenado a pagar uma indemnização de 15 mil euros a José Sócrates, na sequência da violação do segredo de justiça durante a investigação da Operação Marquês. A decisão foi tomada pelo Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa.

O antigo primeiro-ministro reclamava uma compensação de 205 mil euros, alegando prejuízos causados pelas fugas de informação, pela duração do processo e pelos comunicados divulgados pela Procuradoria-Geral da República. No entanto, o tribunal apenas considerou procedente a queixa relacionada com a quebra do segredo de justiça.

A sentença conclui que houve divulgação de informação sobre a detenção de José Sócrates, em novembro de 2014, quando o processo ainda se encontrava em segredo de justiça, situação que o tribunal entendeu ter provocado danos não patrimoniais.

Já os restantes pedidos foram rejeitados. O tribunal concluiu que a duração da investigação se justificava pela complexidade do processo e considerou que os comunicados da Procuradoria-Geral da República tiveram um caráter meramente informativo, não existindo fundamento para responsabilizar o Estado nesses casos.

Apesar de ter conseguido uma decisão favorável neste ponto, José Sócrates terá de suportar cerca de 93% das custas do processo, uma vez que apenas uma parte reduzida da ação foi julgada procedente

Botija Solidária para famílias carenciadas com gás até setembro

Em entrevista ao “Jornal de Negócios” e à Antena 1, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou que o Governo vai prolongar, até meados de setembro, a botija de gás solidária.

Este apoio, que deveria terminar no final de junho e que concede €25 por botija (com um limite de duas botijas por mês) a famílias economicamente vulneráveis, será então prolongado referiu a ministra.

O programa “Botija Solidária” visa ajudar as famílias em situação de vulnerabilidade económica na compra de botijas de gás. Criado em 2022, na sequência da guerra na Ucrânia, o programa destina-se a beneficiários de prestações sociais e é executado através das juntas de freguesia aderentes. Anteriormente denominado “Bilha Solidária”, foi criado para minimizar o impacto da subida dos preços da energia nos orçamentos familiares.